MALARIA CONSORTIUM MEDE IMPACTO DA MALÁRIA NO SECTOR PRIVADO
5 Abril 2010
O objectivo principal deste estudo é de despertar a consciência do sector privado para a importância da acção preventiva da malária no local de trabalho considerando o peso financeiro que as suas consequências podem representar para as empresas ou empregadores.
O estudo foi baseado em duas metodologias complementares: (i) a realização de um estudo de caso junto da empresa Kawena S.A. permitindo quantificar o absentismo devido à Malária e quantificar o impacto financeiro nesta empresa e (ii) um breve levantamento quantitativo à grandes empresas e PMEs (pequenas e medias empresas) Moçambicanas que permitiu identificar estratégias (ou ausência das mesmas) nas empresas para suplantar os impactos económico-financeiros da malária. Durante o estudo foi desenvolvida e testada, uma base de dados que permite um registo mais detalhado de faltas laborais permitindo aos gestores uma melhor avaliação do nível de absentismo dos seus trabalhadores.
universo da parte qualitativa do estudo foi constituído por indivíduos responsáveis pelo departamento de recursos humanos de grandes empresas e PMEs (pequenas e médias empresas) com sede em Maputo e Matola. Foi reunida uma amostra exemplificativa de 51
empresas, na qual os respondentes foram seleccionados através do método de quotas, com base no sector em que actuam e o número de funcionários.
Numa abordagem mais ampla, o estudo revela que a existência em Moçambique de alguma sensibilidade relativamente ao tópico de responsabilidade social empresarial apesar de, no caso da Malária, ser bastante menor. Das empresas abordadas, 29,4% respondem positivamente sobre a existência de programas de prevenção de HIV-SIDA , enquanto 39,2% afirmam possuir algum tipo de apoio ou actividades de responsabilidade social (mais evidente nas grandes empresas). Apenas 15,7% das empresas possui algum tipo de programa para a prevenção da malária (das quais 7,8% pulverizam as instalações da empresa e 5,9% distribuem gratuitamente redes mosquiteiras aos seus funcionários) demonstrando ainda alguma timidez na prevenção da malária no sector privado.
O estudo indica ainda que o peso da malária no absentismo é substancial. Uma grande percentagem das empresas aponta a doença como a principal razão para o absentismo (80,4%). Entretanto, o deficiente registo das faltas (apenas 49% possui um registo indicando a doença que originou a falta) dificulta o processo de recolha de informação objectiva sobre a doença que causa o absentismo. Porém, um terço das empresas (33,2%) referem que 80-100% das faltas por doença se devem a malária. Apesar de poucos casos de faltas terem origem em doenças de familiares, quando isto acontece 60-70% das doenças dos familiares é malária